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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A Década De Todas As Suspeições - Parte 10

Susana saiu do lar sem ter conseguido falar com o padrinho Costa e sem ter desvendado o mistério do clone de Salazar e da sua ligação com eles os três, o Paulo, a Glória e ela.

Depois de muito pensar, decidiu voltar para o Algarve. Afinal ainda tinha mais uns dias de férias e tinha alugado a casa por uma semana. Queria aproveitar esses dias na praia e além disso o Paulo disse-lhe que ia a Lisboa, mas que voltava dentro de dois ou três dias.
O melhor era esperar por ele lá!

No regresso, passou pelo Alentejo e deixou lá a amiga Isabel.

No dia seguinte, o Paulo voltou! Encontrou a Susana sentada no terraço a ler um livro e provavelmente com o pensamento longe, que nem deu pela sua chegada.
Ele ficou a observá-la a uma certa distância.

Susana levantou-se, dirigiu-se à praia e sentou-se na areia mesmo à beira-mar. Ficou ali sentada, com os olhos perdidos nas ondas e no infinito daquele azul. Algo a fez olhar para trás. Como num sonho, Paulo estava a descer as escadas de acesso à praia e foi sentar-se ao seu lado. Ela olhou para ele e sorriu. Os dois ficaram em silêncio por alguns momentos a observar o pôr-do-sol.

Deram um longo passeio pela praia. Falaram das saudades que tiveram um do outro, de como o Paulo lamentava tê-la trocado pela Glória, de como ela sentia a falta dele… Recordaram como eram felizes, antes da Glória se ter metido entre os dois….

A lua apareceu lá no alto e os dois não resistiram mais e deram um longo beijo.
Finalmente o tão esperado encontro romântico!

- Há tanto tempo que eu ansiava por este encontro – diz Susana.

- Nem imaginas as saudades que eu tinha dos teus beijos! – Responde o Paulo.

Jantaram numa esplanada, ao som de música jazz e das ondas que vinham de mansinho bater na areia.
Estava uma noite tão linda!...

Depois do jantar foram para casa e sentaram-se no terraço. A Susana não podia adiar mais o assunto sobre o encontro dos três, ele, ela e a Glória, dois dias antes.

- O que foste fazer a Lisboa? Tinhas logo de ir a correr atrás da Glória! - Começa ela por dizer.

- Fui por causa dela, mas não é o que imaginas… - responde ele prontamente. - Depois de me teres telefonado, a Glória começou a fazer uma cena de ciúmes…
Tivemos uma discussão e eu descobri tudo o que se tinha passado na noite anterior no Poço do Bispo. Ela disse-me que tu me tinhas seguido naquela noite, mas eu descobri que ela nos seguiu, também. Ela acabou por confessar que te deu um tiro, mas que tu tinhas conseguido escapar sem teres sido atingida. Ela deu-te um tiro por ciúmes, com medo que eu a deixasse e voltasse para ti!

- Meu Deus, ela queria mesmo matar-me ou só assustar-me? Nem sei como consegui fugir! - Exclama Susana com surpresa e horrorizada. – Eu não sabia que o tiro era para mim, nem quem o tinha dado, nem vi a Glória…

- Além de tudo isto, depois de ter saído do Algarve, a Glória foi ao lar, onde estava a viver o padrinho dela e levou-o para casa – continua o Paulo.

- Levou-o para casa porquê? – Pergunta a Susana.

- Não sei porque o levou, nem sei o que teria acontecido se eu não tenho chegado entretanto. Ela está completamente louca, inventa histórias e não tem noção do que faz. Ela teve uma depressão há algum tempo e agora andava em tratamento – responde o Paulo.

Pela cabeça da Susana, passa toda a conversa da Glória sobre o Paulo e o clone de Salazar e constata, que realmente a Glória só podia mesmo estar louca!

- Depois destas loucuras todas da Glória, o que querias que eu fizesse? Exclama Paulo – Hoje, de manhã, fui internar a Glória ao Hospital Júlio de Matos e fui levar o padrinho dela, o Aníbal Costa, ao lar, local de onde nunca deveria ter saído.
Não a denunciei à polícia, prefiro que sejas tu a decidir o que fazer com ela.

- Ai Paulo, nem sei o que dizer…

- Agora acabou tudo de vez entre mim e a Glória! Diz o Paulo.

Susana não contou que tinha ido ao lar com a Isabel. Ela estava completamente incrédula com o relato. Sentia um misto de ódio e pena da ex. amiga, mas um alívio por ela ter desaparecido, de vez, da vida deles.

- Não sei se vou apresentar queixa da Glória à polícia, hoje não quero pensar nisso, tenho algo muito melhor para pensar… em ti! Amanhã decido o que fazer com ela. – Diz Susana.

Susana e Paulo foram para a cama, tinham aquela noite só para eles…

- Tanta emoção em tão poucos dias – pensa Susana.

Finalmente, adormeceram nos braços um do outro.

Dina Rodrigues

2 comentários:

João Madeira disse...

Não sou grande cozinheiro. Mas parece que há bolos que, se mexidos mais um bocadinho, ficam mais fofos. A Dina teve o condão de assentar a história. Parabéns por isso. Mas é cedo ainda...não é, Casimiro?
João J. A. Madeira

Dina Rodrigues disse...

Obrigado João pelo comentário. Tentei dar um passo em frente na história e esclarecer alguma coisa, visto que têm ficado tantas pontas soltas pelo meio...

Dina