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domingo, 7 de agosto de 2011

A Década De Todas As Suspeições - Parte 9

Susana espreguiçou-se e sorriu.

– Que bom, foi só um pesadelo, foi só um pesadelo! - Repetiu para ela própria diversas vezes, com uma sensação de alívio enorme. Tudo o que se tinha passado no dia anterior não passara de uma brincadeira do seu subconsciente. Afinal, estava ela sossegada no seu quarto e pela luz que entrava pelas frinchas da janela, o Sol parecia brilhar lá fora.

- Óptimo, vou à praia hoje, relaxar! – E deu um saltinho para fora da cama, toda contente.

Nesse momento, bateram à porta do seu quarto. Aquele bater nervoso fez disparar o coração de Susana e como um raio que percorre o céu até ao solo, algo disparou dentro do seu cérebro e a trouxe à inquietante realidade. Susana sentou-se de novo na cama, com um ar de desalento, afinal não tinha sido um pesadelo. Quem batia na porta do lado de fora era a sua incansável amiga Isabel que tudo fez no dia anterior para que Susana descansasse um pouco.

-Susana! Susana? Estás acordada? – Sussurrou Isabel do lado de fora. Susana levantou-se muito vagarosamente como querendo adiar o encontro com a realidade destes últimos dias.

- Bom dia Isabel… – murmurou Susana após abrir a porta e dar de caras com o que parecia ser a sua confirmação da visão de uma pena capital.

- Então, conseguiste descansar? Vim aqui a meio da noite e fiquei mais sossegada. Estavas a dormir profundamente e com uma respiração calma… - perguntou carinhosamente Isabel.

Susana não emitia uma palavra, enquanto conduzia em direcção ao planeado com Isabel na véspera.

- Estás bem? – Perguntou Isabel. Ainda não disseste uma palavra desde que saímos de tua casa.

Mas Susana continuou calada. Estava muito nervosa, confusa e não gostava da sensação de não saber o que ia encontrar, ouvir e saber ao ver o Padrinho Costa.

- Eu estou a teu lado, nada de mal nos vai acontecer – reafirmou Isabel, tentando acalmar a amiga.

Quando chegaram à porta do lar, Susana sentiu um arrepio. Aquele lugar estava em muito pior estado desde a última vez que tinha estado lá. Sentia uma série de más vibrações a emanar das paredes daquele edifício soturno, ela que até nem acreditava nessa história de más vibrações, isso para ela não passava de uma treta. Até chegar ali…

-Ok, Isabel, espera por mim aqui, no jardim. Tal como te disse, é melhor eu ir sozinha – disse Susana, suspirando.

-Tens a certeza? Preferia acompanhar-te. Não vou ficar sossegada aqui fora sem saber o que se está a passar- respondeu apreensiva Isabel.

- Bem, de facto… - hesitou Susana, olhando para a porta que se avistava já do portão, como se fosse a entrada de uma caverna. Ok, anda comigo, estou demasiado confusa e exausta para aguentar entrar neste lugar sozinha.

Susana e Isabel deram o braço e caminharam decididas até à porta, apesar de terem ambas o coração super acelerado. Andaram uns metros e encontraram uma senhora que parecia ser enfermeira no meio do corredor e aproveitaram para perguntar onde poderiam encontrar o padrinho Costa.

- Ele já não está connosco – respondeu secamente a suposta enfermeira.

Susana sentiu uma tontura devido ao choque. Teria o padrinho Costa falecido assim, de um momento para o outro?

- Um familiar veio buscá-lo e levou-o para casa dele – continuou a enfermeira, remexendo numa série de medicamentos num tabuleiro, sem sequer olhar para as duas amigas.

Susana e Isabel olharam uma para a outra, estupefactas. E agora? Um familiar? Mas o padrinho Costa não tinha mais familiares sem ser Glória…

Glória aconchegou o seu querido padrinho que entretanto adormecera no sofá.

- Obrigada, Caetano – disse Glória para o rapaz de feições fortes que a ajudara na missão a que se tinha proposto.

- Já sabes que podes contar comigo para o que for preciso. Sempre! – Respondeu este, convictamente.

Caetano era um colega da revista, que desde que Glória tinha entrado para lá, tinha demonstrado ter por ela um fraquinho e era o seu único amigo lá dentro. Mas Glória só tinha olhos para Paulo.

- Que tonta fui!- Pensava agora ela. Olhou para Caetano e viu um rapaz forte, decidido, másculo e presente. Algo que Paulo raramente tinha sido.

- Desculpa ter-te metido nesta confusão mas como te expliquei o meu padrinho não estava a ser bem tratado naquele lugar. Precisava mesmo de o tirar de lá rapidamente – agradeceu reconhecida Glória.

- Sem qualquer problema, já sabes. Só não percebi muito bem porque é que não podias ser tu a tratar disso. Não porque não te quisesse ajudar mas fez-me alguma confusão esse facto. – Caetano olhou para Glória com ar interrogativo.

- Lembra-te daquilo que te pedi ao telefone. Sem perguntas. Ok? – Respondeu Glória.

- Ok, combinado – assentiu o rapaz.

- Não, não! Não…Nãoooo! – Um grito desesperado assustou Caetano e Glória. Viraram-se rapidamente e viram o padrinho Costa muito agitado no sofá.

- Calma padrinho. Estou aqui, sou eu a Glória. – Tentou acalmá-lo a afilhada aflita.

- Ele vem aí! O Dr. Azevedo vem aí! Ele vem aí…foge filha…foge… - e dito isto adormeceu num torpor meio febril.

Glória e Caetano olharam um para o outro com ar interrogativo. Glória tornou a aconchegar o padrinho e escorregou até ficar sentada no chão… Olhou de novo para Caetano que estava posicionado em frente para a janela que dava para um jardim florido. Tinha decidido tirar o padrinho do lar com medo que ele sofresse alguma represália mas teria sido de facto boa ideia? Será que toda esta história maluca não passava de uma alucinação do padrinho? E se não fosse, qual seria o risco que os três estavam a correr? Olhou para Caetano, meu Deus, e se tudo isto fosse verdade, teria ela acabado de envolver o rapaz numa história perigosa? E o Dr. Azevedo? Seria alguma personagem inventada no meio dos delírios do padrinho ou algum perigoso médico? Hum, se havia clones, tinha de haver médicos, provavelmente! Glória abanou a cabeça, perdida no turbilhão de toda esta confusão.

Susana e Isabel voltaram para o carro. Caminhavam em silêncio. Nenhuma das duas percebia muito bem o que estava a acontecer. Quem seria o familiar que tinha tirado o padrinho do lar? E agora o que fazer? Onde andaria Glória? E pior, onde andaria Paulo?

Carolina Lemos

3 comentários:

SusanaFonseca disse...

Olá a todos, estou a adorar esta história escrita a tantas mãos... fascinante! Será que ainda é possível participar?
Deixo o meu e-mail:cronicas.daminhavida@ggmail.com
Abraço

Liz disse...

Mais duas personagens e mais algumas saídas possiveis, vamos ver qual é a escolhida pela Dina. Como alguém já disse, isto está a ficar um policial digno de Ken Follett:)
Parabééns Carolina, gostei bastante da tua abordagem!

Susana, será um prazer contar com mais uma mão amante da escrita!

Dina Rodrigues disse...

Obrigada Carolina Lemos deixaste as personagens bem encaminhadas para o encontro romântico! Mas que grande enredo!...