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domingo, 13 de maio de 2012

Os segredos de Sobreiro Aparado - Capítulo 4

O dia anterior tinha sido de grande alvoroço na aldeia do Sobreiro Aparado e Albertina sentia-se inquieta, num misto de medo e excitação. Sozinha em casa, deitou-se sobre a cama a folhear um livro naquele fim de dia abafado. Por aquela altura já Tomé estaria numa qualquer cidade do país vizinho. Sabê-lo tão distante dava-lhe um certo prazer, e o descanso de pelo menos naquela noite não ter que lhe entregar o seu corpo para que as crises de ciúme se acalmassem! Apesar de não lhe faltar nada, estava farta daquela vida vazia de significado e de emoção.


Os seus pensamentos fugiram para lá das páginas do romance que tinha em mãos e, de um momento para o outro, era ela a personagem de uma história de contos de fadas que se tecia na sua mente. Do seu quarto, na sua modesta casa na pequena aldeia do Sobreiro Aparado, Albertina voou até Lisboa.

_ Esqueci-me de te dizer que não moro sozinho! Espero que não te importes! - Disse Seguro de sorriso nos lábios enquanto metia a chave à porta.

Assim que a porta se abriu saí disparado e directo a Seguro um belo cão de grande porte. Pêlo raso, cor caramelo, olhos castanhos avelã e com não menos de 20 Kg. Seguro baixou-se para abraçar o cão falando-lhe com uma voz carinhosa enquanto este abanava a cauda alegremente e o lambia no rosto como se tivesse a saborerar um belo petisco. Havia sem dúvida ali uma cumplicidade que Albertina nunca tinha observado. Na aldeia, as pessoas eram as pessoas e os animais eram isso mesmo, animais. Nunca se tinha visto por lá nenhuma cena como aquela. Seguro parecia estar a abraçar um filho no regresso a casa após um dia de trabalho! Albertina observava aquela cena a pouco menos de dois metros de distância e se por um lado achava aquela ligação e aquele momento disparatado, nos seus lábios rasgava-se um sorriso terno.

_ Este é o Xerife, o meu ‘cãopanheiro’! - Disse Seguro sorrindo!

Albertina respondeu apenas com um sorriso porque não sabia mesmo o que dizer! Já dentro do pequeno apartamento, no 8.º andar de um elegante prédio que até tinha um porteiro, Albertina olhava com atenção e cuidado para todos os recantos enquanto Seguro se preparava para ir tomar um banho.

_ Estou com muito calor, preciso de me ir refrescar! Fica à vontade! O Xerife faz-te companhia!

Disse Seguro seguindo para o quarto e fechando a porta atrás de si.

Albertina sentou-se no sofá passando as mãos pelo tecido que lhe pareceu incrivelmente macio. A seus pés, Xerife olhava-a com atenção como se quisesse conversar com ela. Era um apartamento pequeno mas incrivelmente bem decorado. Movéis modernos, cortinados e amofaldas a combinar, estantes repletas de livros... Albertina nunca tinha visto nenhuma casa assim, só mesmo nas novelas, mas tinha a certeza que não se importaria de viver num lugar assim!

Minutos depois, Seguro regressa vestindo umas calças de ganga e uma t-shirt preta que lhe favorecia os contornos definidos do tronco. Albertina olhou para ele com desejo e pensou em como seria maravilhoso ter aquele homem dentro dela. Mordendo os lábios discretamente num gesto sedutor, olhou para ele e perguntou:

_ Já estás mais fresco?!

Seguro aproximou-se dela e num gesto delicado colocou-lhe o braço à volta da cintura fazendo com que Albertina se levantasse e o seu corpo se encostasse ao dele.

_ Posso mostrar-te! - Disse seguro com ar provocador, beijando-a!

Xerife afastou-se de mansinho enquanto Albertina se reclinou para o sofá, deitando-se. Puxou Seguro para si e beijou-o com desejo. Abriu suavemente as pernas indicando que queria ser dele, ali e naquele preciso momento. Seguro levantou-lhe o vestido de linho preto e beijou-lhe suavemente as pernas enquanto terminava de a despir. Os seus corpos entregaram-se ao prazer de uma forma que Albertina não conhecia. Por momentos pensou que não seria possível aguentar tanto prazer...


_ Tina! Tina! Oh Filha! Tina! Por favor abre a porta! Tina!

Albertina acordou repentinamente do sonho que sonhava acordada. Sentia-se excitada de tal forma como se tivesse acabado de viver tudo aquilo. Alguém batia fervorosamente à sua porta. Era a D. Aldina. Que se passaria?! Albertina levantou-se, recompôs a sua roupa e foi até à porta.

- Que se passa D. Aldina?!

- Oh filha... senta-te aqui por favor! - Disse a D. Aldina de mãos a tremelicar e de olhos cheios de lágrimas.

- Foi o teu Tomé filha! O teu Tomé teve um acidente lá na Espanha com o camião!

Susana Fonseca

4 comentários:

João Madeira disse...

Depois de um sonho assim levar com uma notícia destas, não há erotismo que resista. Já faz falta um padre para benzer aquilo tudo, caso contrário qualquer dia não fica ninguém para aparar o sobreiro. Parabéns, Susana.

Clementina disse...

"coitada" da Albertina, será q vai virar a bela viuva?
Parabens Suzana

Dina Rodrigues disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dina Rodrigues disse...

Gostei Susana! Mas tive que ressuscitar o morto, também ninguém o viu mesmo morto... Parabéns!