Maria
Nessa longínqua noite, Maria que estava
muito ligada ao seu bebé, sentiu um escalafrio, era a primeira vez que se iria
separar do seu amor maior: o filho. Deixa-lo ao cuidado de sua mãezinha, era um
conforto, mas ainda assim era deixá-lo!
Como é que foi que João tomou tal decisão sem primeiro falar com ela? Saber
a sua opinião? Ela também queria sentir o calor do seu amado, claro. E por um
lado até compreendeu que este lhe quisesse fazer uma surpresa, mas o seu filho…
Deixou passar… talvez fosse ela que
estivesse errada.
Chegados ao hotel, prometeu a si própria
esquecer aquele pequeno senão e fazer despoletar, naquela noite, o amor e a doçura
que tinha ficado por realizar há um ano. João escolhera uma suite maravilhosa com vista
para o mar, aquele mar que os tinha enamorado.
Enquanto Maria desfazia a mala, João foi
preparando dois copos de fino cristal, afinal era a sua primeira noite juntos e
queria impressionar a sua amada. Deslocou- se devagarinho até ela, abraçou- a por
trás e sussurrou ao seu ouvido:
- Maria vem, vamos brindar ao nosso amor.
Ela virou o seu corpo, e deu com o corpo
do João coladinho ao seu. Num ímpeto os seus lábios colaram-se e fizeram ali
duas almas numa só.
A vida seguiu o seu caminho, o filho foi
crescendo e de vez em quando Maria era surpreendida com situações idênticas.
João decidia coisas sem a consultar. Ela no seu subconsciente estava a
aperceber-se daquelas lacunas no seu casamento, mas ia deixando passar, porque não
aceitava pensar que aquela atracão que tinha nascido de um encontro tão idílico
se estava a corroer. E depois havia o filho… será que um dia mais tarde o
Emanuel não se ressentiria por ser filho de pais separados?
Que embrulhada ia na sua cabeça! E mais
ainda o que ela tinha dia e noite a martelar-lhe a cabeça… sim, aquele colega
de trabalho, lindo, de olhos verdes, sempre a persegui-la. Ela que sempre
pensou ser a honra da família, mas um ano é muito tempo e o César tornara- se
tão gentil para ela e para o Emanuel...
Tudo isto e mais o João agora a escolher a
casa com o pai ...
“Será que estou a fazer boas escolhas”
Para início de vida a dois era difícil
aceitar. E mais, já o colega a alegrava tanto! Sempre tinha um elogio, ou um
piropo.
Entretanto, fazia ao mundo querer que eram
um casal feliz.
Chegou o dia do aniversário do Emanuel. Primeiro
aninho, o pimpolho já dava os primeiros passinhos e balbuciou neste dia a
primeira palavrinha:
- Ma… mamã... - foi uma alegria enorme
para todos.
João olhou de soslaio para o rapaz que
Maria, ao vê-lo entrar, rasgou o seu lindo sorriso e foi receber à porta. Maria
viu que ele tinha uma das mãos escondida atrás das costas e na outra, um grande
urso de peluche para o aniversariante, que mal o recebeu, correu de alegria a
mostrar ao pai.
Enquanto isso o colega de Maria tirou a
mão que tinha escondido e disse:
-
Este presente é para a mamã.
Atrapalhada, ela agradeceu e fixou os
olhos no João, que parecia fogo.
Dia feliz, e mais feliz ainda porque o seu
colega especial tinha aparecido…
Clotilde
Morgado Fonseca

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